quarta-feira, 20 de junho de 2018

Prédio de antiga Estação Ferroviária de Cruz das Almas recebe arte por Coletivo MDois


Quem chegava a cidade de Cruz das Almas demorava para encontrar um ponto de arte e cultura. Nessa segunda (18) o Coletivo MDois iniciou um projeto de arte com grafite num armazém antigo e abandonado próximo à entrada da cidade. O Coletivo foi criado pelo grafiteiro JAHSCO com o objetivo de levar essa arte para as comunidades, com o apoio de parceiros como Mano Link. O local fica localizado ao lado de Centro Pedagógico Municipal que por estar abandonado já serviu de abrigo para pessoas em situação de rua.

“Trabalho com grafite velho, arte de rua. Grafite é arte de rua. Ele faz parte da cultura hip-hop. Nós fazemos parte dessa cultura aqui na cidade. Então, o grafite é um elemento que chega para dar uma cor na cidade. Através do grafite, estamos passando uma mensagem de estar conscientizando as pessoas e despertando o lado criativo da galera”, declarou Diego Campos, líder do MDois, que assina seus trabalhos com grafite como JAHSCO.



Produzindo a arte na companhia de Mano Link, JASHCO ressalta o trabalho em equipe que desenvolve com as oficinas nas comunidades. “Temos oficinas na cidade que acontece no Coreto, aos domingos. Nós damos oficina de grafite e de rima para a juventude. Chega no fim de semana o que tem aqui é barzinho e nós viemos com a cultura hip-hop, com o grafite. Então, a arte é uma forma de você se expressar. Nós viemos com a arte com a ideia de apresentar a cultura mais para a juventude da cidade. Infelizmente a nossa comunidade sente a falta da cultura. O jovem vai para o barzinho por falta de opção”, ressaltou o artista.

Não é segredo que o grafite atua como forma de resistência a cultura hegemônica. “Por falta de oportunidade nós precisamos chegar nas comunidades e falar: “tem condições, dá para fazermos, organizar algumas coisas”. Estamos fazendo isso, passando pelas comunidades e levando o grafite que faz parte da nossa cultura, levamos poesias, propomos alguns debates sobre as coisas que estão acontecendo, o genocídio do povo negro, as coisas que estão acontecendo na nossa comunidade, oficinas de turbantes para as pretas se enxergar como preta e se aceitar. Então, chegamos com tudo isso para estar conscientizando a galera e bater de frente também. Para a galera ver que tem uma linha de frente na comunidade, e aí o grafite abre essas portas”, ponderou JASHCO.

“Damos uma colorida nesse espaço que é um espaço que futuramente eu queria que fosse um ponto cultural. É um espaço grande que temos aqui e está parado. Aí você vê que a juventude está meio dispersa. Não tem um lugar para se encontrar, trocar uma ideia, se reunir, falar sobre um assunto, debater. Então, quem sabe essa pintura não abre um leque de opções para a galera e a galera diz “pô, aquele espaço dá fazer algo”. Grafite abre as portas, velho”, diz o artista.

Leandro Queiroz - Repórter Especial - Portal Cruzalmense

Um comentário:

  1. Uma cidade sem cultura
    Faz o crime virar espetáculo
    Cada vez mais jovens nisso por falta de opção do que fazer valorizem mas as culturas de sua cidade o interior é rico.

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