Veja perguntas e respostas sobre a doença que causou a morte do neto de Lula

Foto: Reprodução - Redes Sociais

Arthur Lula da Silva, de 7 anos, neto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, morreu no dia 01 de março de 2019, vítima de meningite meningocócica, em São Paulo.

Arthur deu entrada no Hospital Bartira, em Santo André, no ABC Paulista, às 7h20 de sexta-feira(01) com “quadro instável” e faleceu às 12h11 “devido ao agravamento do quadro infeccioso de meningite meningocócica, segundo a assessoria da Rede D’Or São Luiz, da qual o hospital faz parte.


Veja abaixo perguntas e respostas sobre a meningite meningocócica:

O que é a meningite?
As meninges são as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. A meningite ocorre quando há uma inflamação desse revestimento, causada por micro-organismos, alergias a medicamentos, câncer e outros agentes.

Entre os agentes infecciosos, as meningites bacterianas e as virais são as mais importantes do ponto de vista da saúde pública e também as que causam mais preocupação, devido a sua magnitude, capacidade de causar surtos e, no caso da meningite bacteriana, devido à sua maior gravidade.

Qual é o tipo de meningococo que causou a morte de Arthur Lula da Silva?
Até o momento, sabe-se apenas que a doença era meningite meningocócica. O Hospital Bartira não informou o sorotipo.

Qual é a incidência da meningite meningocócica no Brasil?
Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2018, foram registradas 1.072 ocorrências de doença meningocócica no Brasil e 218 mortes. Em 2017, no mesmo período, foram 1.138 e 266, respectivamente.

Em relação à meningite pneumocócica (causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, ou pneumococo) foram 1.030 ocorrências e 321 mortes em 2017, e 934 e 282 em 2018. As meningites causadas por outras bactérias somaram 2.687 notificações e 339 óbitos em 2017, e 2.568 e 316 em 2018.

O sorogrupo C é o principal causador de doença meningocócica no Brasil, responsável por cerca de 60% dos casos.

Existe vacina para a meningite meningocócica? Tem no SUS?
Existem vacinas contra os principais sorogrupos que causam a doença meningocócica (A, B, C, W, Y).

A vacina para o tipo C está disponível no Calendário de Vacinação do Programa Nacional de Imunização da rede pública para os seguintes grupos:

Imunização primária de duas doses, aos 3 e 5 meses de vida, e o reforço, preferencialmente, aos 12 meses, podendo ser administrada até os 4 anos de idade;

Adolescentes entre 11 e 14 anos;

Pessoas em condições especiais de saúde atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais.

“As autoridades têm que ficar atentas para a curva de prevalência. Se o B estiver crescendo, podem chegar à conclusão de que devem oferecer também esse tipo na rede pública”, explica Dra. Ana Escobar, pediatra e colunista do G1.

Outras vacinas disponíveis no SUS que podem ajudar a prevenir tipos diferentes de meningite são:

Vacina pneumocócica 10-valente, que protege contra as doenças invasivas causadas pelo Streptococcus pneumoniae, incluindo meningite pneumocócica (outra variedade de meningite bacteriana) .

Pentavalente: protege contra doenças invasivas causadas pelo Haemophilus influenzae sorotipo b, como meningite, e também contra a difteria, tétano, coqueluche e hepatite B.

BCG: protege contra as formas graves da tuberculose.

Como se transmite a meningite bacteriana?
Geralmente, as bactérias que causam meningite bacteriana (inclusive a meningocócica) se espalham de uma pessoa para outra por meio das vias respiratórias, por gotículas e secreções do nariz e da garganta. Existem também bactérias, como a Listeria monocytogenes e da Escherichia coli, que podem se espalhar por meio dos alimentos.

Algumas pessoas podem transportar essas bactérias dentro ou sobre seus corpos sem estarem doentes. Essas pessoas são chamadas de “portadoras”. A maioria dessas pessoas não adoece, mas ainda assim pode espalhar as bactérias para outras pessoas.

Quais são os sintomas da meningite meningocócica?
Como informa o Ministério da Saúde, os sintomas da meningite incluem início súbito de febre, dor de cabeça e rigidez do pescoço. Muitas vezes há outros sintomas, como:

Mal estar;

Náusea;

Vômito;

Fotofobia (aumento da sensibilidade à luz);

Status mental alterado (confusão);

Com o passar do tempo, alguns sintomas mais graves da meningite bacteriana podem aparecer, como convulsões, delírio, tremores e coma.

Em recém-nascidos e bebês, alguns dos sintomas descritos acima podem estar ausentes ou difíceis de serem percebidos. O bebê pode ficar irritado, vomitar, alimentar-se mal ou responder pouco a estímulos. Também pode apresentar a fontanela (moleira) protuberante ou ter reflexos anormais.

Na septicemia meningocócica (também conhecida como meningococemia), que é uma infecção na corrente sanguínea causada pela bactéria Neisseria meningitidis, além dos sintomas descritos acima, podem aparecer outros como:

Fadiga;

Mãos e pés frios;

Calafrios;

Dores severas ou dores nos músculos, articulações, peito ou barriga;

Respiração rápida

Diarreia

Manchas vermelhas pelo corpo

A meningite meningocócica é muito grave?
Sim e o caso de Arthur não foi uma exceção, pois são principalmente as formas da meningite causadas por bactérias que podem levar à morte.

As meningites pneumocócica e meningocócica podem levar à meningococcemia e, nesse caso, a doença pode evoluir de forma fulminante, matando em poucas horas. A Dra. Ana Escobar explica que um sinal da meningococcemia são manchas na pele. “Quando elas aparecem é alerta máximo”, diz.

Como informa o Ministério da Saúde, nas meningites causadas por vírus, geralmente a evolução é mais branda e o prognóstico da doença é menos grave que na meningite bacteriana.

Como é o tratamento?
As meningites bacterianas são tratadas com antibióticos, em ambiente hospitalar.

Fonte: G1

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