Entenda como era o "Casamento do CEAT"

Foto: Juninho Rodrigues

A ORIGEM – No final da década de 70, no COLÉGIO ESTADUAL ALBERTO TÔRRES – CEAT, foi desenvolvido um projeto pedagógico intitulado São João na roça. Esse projeto visava despertar no alunado o interesse pela cultura popular e constituía na escolha de tarefas relacionadas com o São João por turma de alunos, que depois de apresentadas foram avaliadas para notas mensais. As tarefas escolhidas pelos alunos foram: comidas típicas, quadrilhas, dança de roda e casamento na roça.

Depois das apresentações, o Casamento na Roça foi o que mais se destacou pelo seu desempenho e criatividade. O uso de licor, queima de espadas e outros fogos de artifícios no recinto do CEAT, eram naquela época proibido, porque feriam o regimento interno do estabelecimento. Por isso, todos os anos os alunos insistiam nessa prática, mesmo sendo contrárias ao regimento interno do CEAT sempre contornado pela direção. Surgindo assim uma ideia para a solução do problema, pleiteada pelos alunos como Sérgio Lopes, seu irmão Valtinho e outros, para que o Casamento fosse a partir dali, realizado na Praça Senador Themistocles. Acatada pela direção da época, constituída por Eleacy Leal, diretora e os vices diretores, Antonio Batista, Maria Antonia e Edelsuita Sampaio que fizeram uma exigência: para que a arrumação do Casamento fosse sempre no recinto do CEAT.

Assim surgindo o CASAMENTO, que virou tradição. Daí em diante, o Casamento sempre foi arrumado em uma das salas do colégio, onde um aluno se travestia de noiva e uma aluna de noivo; o padre era sempre um aluno; todos vestidos a rigor, saindo do CEAT, conduzido por uma carroça enfeitada, passando pela Rua da Estação até a Praça dos Artífices, em direção a rua do hospital, rua da Suerdieck, Rua Crisógno Fernandes, daí até o coreto na Praça Senador Themístocles, onde acontecia a cerimônia do Casamento em grande estilo. 

Depois a festa se transformava numa grande batalha de espadas, consequentemente dando início ao São João de Cruz das Almas. Portanto o CASAMENTO DO CEAT é uma tradição criada pelos alunos daquela casa de ensino há mais de vinte anos, que também contou na época, com o entusiasmo de pessoas como o Capitão Antonio Leite e outras figuras que participavam do evento. ¹

O Casamento do CEAT, que aconteceu até o ano de 2011, “significava, para os foliões apreciadores das espadas, o mesmo que os antigos “gritos” de carnaval ou de micaretas significavam, ou seja, o anúncio da aproximação de uma determinada festa e a divulgação desse evento. É o grito do espadeiro, alterando o cotidiano da cidade em um dia comum, o que descortina uma atmosfera de irreverência em espaço público”.²


(FONTE: ¹Prof. ANTONIO BATISTA, ex-diretor do Colégio Estadual Alberto Tôrres. Eng° Agrônomo, Professor de História, Doutor-Honoris Causas pela UNI AMERICAN e Bacharel em Direito); ²Da Casa à Praça Pública – A espetacularização das festas juninas no espaço urbano. JÂNIO ROQUE B. DE CASTRO, EDUFBA 2012)


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