Conheça a história de Nossa Senhora do Bom Sucesso, Padroeira de Cruz das Almas



A origem da invocação não é tão clara. A primeira notícia da Invocação da Virgem Maria, Mãe de Jesus Cristo, sob o título de Nossa Senhora do Bom Sucesso vem de Lisboa em Portugal do século XVI ou XVII.

Na obra “Santuário Mariano” de Frei Agostinho de Santa Maria, no destaque de uma primeira autora consultada, fala-se de uma condessa chamada D. Eyria de Brito. Ela recebeu uma imagem da Virgem de um peregrino, misteriosamente (provavelmente antes da data apresentada depois pela mesma autora de 1629) em sua porta, sem nada cobrar e desaparecendo em seguida. Começou a intitulá-la “da Conceição”. Era uma imagem de roca, de 2 palmos e meio, meio corpo de madeira de bordo, com braços de engonço e assim só tinha a cabeça e as mãos encarnadas. D. Eyria, já viúva, funda um convento com suas posses e lá se instalam religiosas dominicanas, que lhe puseram o Menino Jesus nos braços e lhe deram o título de “Bom Sucesso” por revelação que teve uma religiosa, tornando-se o orago da casa.

É documentado que o “Colégio do Bom Sucesso” em Lisboa, foi fundado pelo padre irlandês Daniel O’ Daly em 1639, depois de nove anos de luta para abrigar religiosas dominicanas vindas da Irlanda e que sofriam perseguições. Este colégio ainda existe e a iniciativa contou com a vontade da condessa D. Iria de Brito (sic), senhora viúva e sem descendentes em doar a sua quinta de Belém para a ordem religiosa.

Outra versão sobre a origem da devoção que, curiosamente, cita a mesma fonte do “Santuário Mariano”, parece não levar em conta a versão anterior. Este autor destaca: ”Com a ocasião de se fazerem na sacristia da Igreja do Hospital Real de Todos os Santos, obras, se descobriu dentro de uma parede em um vão no ano de 1656, uma imagem de Nossa Senhora cuja aparição ou manifestação se moveu a cidade de Lisboa, toda a venerá-la como imagem milagrosamente aparecida… também constou ou por escrito ou por escrituras da mesma Casa do Hospital Real, ter misteriosamente esta santa imagem o título de Bom Sucesso.” Quanto ao tempo que esteve oculta, continua nosso segundo autor; é tradição que foi escondida com outras dos ingleses, mas não se explica porque ficou escondida após passar o perigo dos hereges luteranos, calvinistas e outros.

Caminhos primeiros da devoção
O título sobre o qual a invocaram, neste primeiro momento, se ligará fortemente à morte feliz, seguindo o segundo autor. Ou seja, “Bom Sucesso dos Agonizantes”. Percebemos a participação chave do Padre Inácio Mascarenhas, religioso da Companhia de Jesus. Por este padre, a imagem começa a ser venerada mo Colégio de Santo Antão e na Casa Professa de São Roque da Companhia de Jesus, em Lisboa. Sua disposição foi criar uma Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte “à imitação e com os santos exercícios de outra que em Roma havia na Casa Professa da mesma Companhia”.

Assim, com o achado da imagem, ele funda a Irmandade do Bom Sucesso dos Agonizantes. A invocação passa a ser Nossa Senhora do Bom Sucesso dos Agonizantes e de Cristo Crucificado, nas três horas em que esteve agonizando na sua cruz: porque assim era o da Irmandade da Anunciada em Roma. A Imagem de que se fala é com as mãos levantadas e terá de quatro para cinco palmos. Em Portugal, além do Colégio do Bom Sucesso em Lisboa, encontramos a devoção na cidade do Porto, onde existe uma capela do século XVIII a ela dedicada e uma igreja na Figueira da Foz.

A invocação no Brasil
O primeiro lugar que temos notícia desta invocação em terras brasileiras é no Rio de Janeiro onde, no Largo da Misericórdia, no centro da cidade antiga, o Hospital da Santa Casa recebeu uma imagem vinda de Portugal. Segundo MEGALE, em 1637 (o que fica difícil de ligar às datas anteriores), veio para o Rio de Janeiro o padre Miguel Costa, do hábito de São Pedro, e trouxe a imagem venerada na Santa Casa de Misericórdia.

Também a cidade do Rio de Janeiro tem atualmente o bairro Bonsucesso. Nele, duas paróquias que suas matrizes recebem a invocação de Nossa Senhora do Bonsucesso: uma é de 1920 e outra, Nossa Senhora do Bonsucesso de Inhaúma, é de 1966.

Em São Paulo, tem-se notícia já do final do século XVII. Segundo LIMA JÚNIOR, a devoção veio de Lisboa para o Colégio São Paulo dos Jesuítas (núcleo da futura cidade de São Paulo), de onde se propagou pelo vale do Paraíba pela palavra dos padres da Companhia de Jesus. Em [[Pindamonhangaba]], Nossa Senhora do Bom Sucesso vai ser o orago principal da Igreja Matriz, depois Santuário em 1792. Pindamonhangaba, que quer dizer em tupi-guarani “onde se fazem anzóis”, tem uma história complicada como a origem da devoção. A primeira versão diz que o lugarejo no século XVII estava sob a invocação de São José e tinha uma capela à Nossa Senhora do Bom Sucesso ereta pelo Padre João de Faria Fialho. Para elevar o povoado a freguesia é o corregedor real forçado assinar o documento. Tempo depois, é extinta a freguesia e recriada, no início do século XVIII, mas com o nome de Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Pindamonhangaba. Outros já colocam a vila como fundada pelo Padre João de Faria Fialho, o Padre Faria, sendo que a troca da Igreja velha para a Igreja nova gerou a confusão do orago, pois a velha tomou o orago de São José. Fato é que este Padre Faria teve uma importância capital na Vila de Pindamonhangaba; ele e suas aventuras pelos sertões das Minas Gerais.

Também em São Paulo, a invocação de faz presente no orago das Matrizes: Monteiro Lobato, paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso de 1857, diocese de São José dos Campos; Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Paranapanema, paróquia em 1859 na diocese de Itapetininga; Santuário de Nossa Senhora do Bonsucesso em Guarulhos de 1950 e também temos a localidade de Bom Sucesso de Itararé na diocese de Itapeva.

Outro lugar que nos dá notícia de Nossa Senhora do Bom Sucesso é o estado do Paraná. Em Guaratuba encontramos a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso. Esta paróquia é de 1771 e pertence a diocese de Paranaguá. Também a paróquia de Bom Sucesso do Sul, de 1965, é a Ela dedicada e é da diocese de Palmas-Francisco Beltrão. Também temos a cidade de Bom Sucesso da Diocese de Maringá cuja paróquia é do Divino Espírito Santo de 1954.

As notícias do Nordeste são as mais diversas. A primeira vem da cidade de Aquiraz, no Ceará, onde os jesuítas fundaram um “hospício”, posto de hospedagem, para os padres missionários na catequese dos aborígenes. A residência apostólica também abrigou o primeiro centro de ensino do estado e seu primeiro seminário, constituindo-se num dos únicos pólos difusores da cultura daquele tempo. O que restou do extinto estabelecimento são apenas ruínas da antiga capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso, construída em 1753. Localiza-se na paróquia de São José de Ribamar de 1713 na Arquidiocese de Fortaleza. Neste Estado, ainda encontramos em Tamboril uma quase-paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso(2000).

Em Curimatá, no Piauí, encontramos a paróquia Nossa Senhora do Bonsucesso de 1964.

Na Paraíba, em Pombal, encontramos outra paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso de 1772. Também neste Estado encontramos a cidade de Bom Sucesso da diocese de Cajazeiras que tem sua Matriz dedicada a São José. Na Bahia encontramos duas paróquias do século dezenove: em Cruz das Almas, paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso de 1815 e em Ibitiara, diocese de Livramento de Nossa Senhora, paróquia de 1877.

15 DE SETEMBRO: NOVA DATA PARA A FESTA DA PADROEIRA
Nas últimas décadas Cruz das Almas se acostumou a celebrar a Festa em louvor a Nossa Senhora do Bom Sucesso no dia 08 de dezembro (Festa da Imaculada Conceição). Da mesma forma, outras paróquias da futura Diocese do Recôncavo, à exemplo de Sapeaçu, Governador Mangabeira e Cachoeira, também festejam Nossa Senhora em 08 de dezembro.

Como a Virgem do Bom Sucesso passará a ser a Padroeira da Diocese, evidenciou-se a necessidade de alteração na data da sua Festa, de modo que não haja impedimentos à efetiva participação de todas as suas Paróquias. Não há como fazer a Festa da Padroeira com a ausência de representações das paróquias que no mesmo dia a estarão festejando em seus territórios!

(…)

Em nome da unidade diocesana e da participação, optou-se, a partir de 2010, pela alteração da data da Festa para 15 de setembro. A Lei Municipal N° 2109/2010 instituiu a mudança do feriado do dia da Padroeira.

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