Cachoeira: Irmandade da Boa Morte recusa homenagem da escola de samba carioca Unidos de Padre Miguel

Foto: Itana Alencar/g1

A Irmandade da Boa Morte, confraria bissecular da Bahia, que tem sede na cidade de Cachoeira, no recôncavo, recusou ser enredo da escola de samba carioca Unidos de Padre Miguel, no próximo carnaval.

A instituição é formada por mulheres negras descendentes de escravizados, para manter viva a tradição em memória das antepassadas. Segundo a Boa Morte, a Unidos de Padre Miguel não consultou membros da irmandade antes de fazer o anúncio, no dia 6 de junho.

Nas redes sociais, a escola de samba escreveu: “Ave Maria Olorum – A Corte da Boa Morte” é o enredo que levaremos para a Marquês de Sapucaí, em 2023, em busca do nosso tão sonhado Título!!!”.

Em uma carta aberta, a Irmandade da Boa Morte comunicou que o vídeo divulgado pela escola de samba levou preocupação à instituição, porque causa da “falta de preocupação, responsabilidade e até respeito” com a irmandade, além de divergir as manifestações tradicionais da Boa Morte.

“Não sabemos como nossa história será contada se nada nos foi perguntado, e sem a devida proteção as nossas tradições não há possibilidade de consentirmos. Assim, através da presente carta, registramos o nosso profundo agradecimento à escola de samba Unidos de Padre Miguel pela homenagem, ao tempo em que expressamos as nossas razões e decisão, orientadas pela força espiritual e ancestral que nos mantém, de não aceitação para figurarmos como tema do enredo de escola de samba no carnaval, apesar da grandiosa homenagem, em razão de sermos uma irmandade religiosa”.

Depois da recusa da irmandade, a reportagem entrou em contato com a escola de samba, que encaminhou uma nota em que disse ter sido “surpreendida”, e que desde o lançamento está em contato com a Boa Morte.

No entanto, fontes ligadas à instituição informaram que esse contato só foi feito após o anúncio nas redes sociais.

Na mesma nota, a escola de samba informou que “já há uma reunião programada para acontecer na próxima semana, em Cachoeira”, e que a agremiação está “confiantes de que esse mal entendido seja resolvido da melhor forma possível, com a certeza de que possamos fazer um lindo espetáculo na Marquês de Sapucaí, em 2023 com todo respeito e dedicação que a irmandade merece”.

Conteúdo G1

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