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Vítimas de acidentes com moto representam 79% dos atendimentos de Hospital em Feira de Santana

Foto: Ilustrativa - IA

Ao longo de todo o ano de 2025, o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) realizou o atendimento de 3.773 pessoas vítimas de acidentes de trânsito. O dado revela um crescimento de quase 7% em relação ao ano anterior. Apesar de a unidade receber pacientes de 126 municípios, 60% das vítimas surgiram a partir de acidentes em Feira de Santana.

Segundo os dados oficiais, o Clériston realizou o atendimento de 2.980 motociclistas, o que indica que a categoria corresponde a 79% das vítimas de acidentes de trânsito atendidas pela unidade hospitalar. Em Feira de Santana, os locais com maior número de ocorrências foram as avenidas Eduardo Fróes da Mota (Anel de Contorno) e João Durval.

Esses dados foram apresentados na manhã desta terça-feira (27), durante a primeira edição do Fórum sobre Violência no Trânsito, promovido pela Câmara da Mulher Empresária de Feira de Santana. O evento contou com a participação de representantes do HGCA, da Superintendência Municipal de Trânsito (SMT) e de diversos outros órgãos.

“Inegavelmente, o maior número de pacientes que nós atendemos são os chamados pacientes politraumatizados. Chegam outras patologias, muitas vezes alvejado por arma de fogo, arma branca, mas a grande maioria são pacientes vítimas de acidentes de trânsito. Hoje o Clériston é um hospital extremamente denso, e nós devemos chamar atenção para isso”, disse Cristiana França, diretora do HGCA.

Um ralo no orçamento

No Brasil, a violência no trânsito segue sendo um dos principais desafios enfrentados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Somente em 2024, mais de 25 mil pessoas morreram em acidentes de trânsito no país, o que representa 68 óbitos por dia, segundo dados do Ministério da Justiça.

Além das mortes, os acidentes geraram 227.656 internações hospitalares no SUS no mesmo ano, o equivalente a uma vítima atendida a cada dois minutos. Nos últimos dez anos, o sistema público contabilizou 1,8 milhão de internações, com gastos diretos que chegam a R$ 3,8 bilhões.

O impacto financeiro também preocupa. Em 2024, o SUS gastou cerca de R$ 449 milhões com atendimento a vítimas de trânsito, valor que poderia ser convertido, por exemplo, na aquisição de 1.320 ambulâncias. Desde 1998, os gastos hospitalares com acidentes cresceram quase 50% em termos reais, pressionando de forma contínua o orçamento da saúde.

Segundo a diretora do Clériston Andrade, cada paciente na unidade de terapia intensiva (UTI) do hospital gera um custo médio de R$ 5 mil por dia de internamento, e os ocupantes dos leitos de enfermaria, R$ 2 mil por dia. Segundo França, a imprudência e a falta de cuidado no trânsito impedem que esse recurso seja destinado a ações mais estratégicas na prevenção e no tratamento de outras doenças.

O perfil da imprudência

França também lembrou que cerca de 60% dos pacientes vítimas de acidentes de trânsito atendidos no HGCA são do sexo masculino, na faixa etária dos 16 aos 35 anos. O perfil também se repete quando é feito um recorte com foco apenas no número de óbitos de pessoas que foram vítimas do trânsito.

Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade

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